
Para realizar a reconciliação dos homens, Deus preparou a uma mulher, cobrindo-a de graças especiais para que fosse a Mãe de Deus. A livrou do pecado original e de todo pecado, desde o primeiro momento de sua existência e sempre foi santíssima. Essa mulher, Maria, seria a Mãe de Deus e por isso, autêntica Mãe nossa. Um dia Deus enviou o Arcanjo Gabriel à cidade de Nazaré, à Virgem Maria, que era desposada por São José.
A saudou chamando-a "cheia de graça", e lhe expôs o Plano de Deus: Ela seria a Mãe do Salvador por obra do Espírito Santo, porque para Deus nada é impossível. A Virgem Maria aceitou imediatamente o plano de Deus dizendo: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra" (Lc 1,38). Naquele mesmo momento, fez-se Homem a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sem deixar de ser Deus.
A Santíssima Virgem Maria é a Nova Eva, a Mulher perfeita, cheia de graça e de virtudes, concebida sem pecado original, que é Mãe de Deus e mãe nossa, e que está no céu em corpo e alma; que nos acompanha permanentemente em nossos esforços por ser cristãos com grande solicitude e amor maternal.
Dizemos que a Virgem Maria é verdadeiramente Mãe de Deus porque é a mãe do Filho eterno de Deus feito homem, que é o próprio Deus.
Dizemos que a Virgem Maria é nossa mãe porque, por sua obediência, converteu-se em nova Eva, mãe dos viventes; além disso, porque é Mãe de Jesus Cristo, com quem estamos unidos pela graça, formando um só Corpo Místico.
Os singulares privilégios que Deus concedeu à Virgem Maria são: sua Concepção Imaculada, sua perpétua Virgindade, sua Maternidade divina e sua Assunção em corpo e alma aos céus.
A Santíssima Virgem Maria ocupa na redenção o lugar de Cooperadora da Redenção, porque colaborou com sua livre fé e obediência à reconciliação dos homens. Por desejo explícito do Senhor Jesus, que nos apontou-a como Mãe (ver Jo 19,27), Maria é verdadeiramente Mãe de todos os cristãos, que realizam sua peregrinação terrena sob os ternos cuidados maternais e a companhia de Maria.
Aos profetas – sobretudo a Isaías – já havia sido revelado: o Messias chegaria nascido de uma jovem, de uma virgem. Certamente, não poderiam aqueles homens imaginar quem seria essa jovem, e, como a maioria do povo provavelmente também eles acreditavam que a escolhida por Deus seria alguém de alta linhagem social. Importa saber que o Senhor não se revelaria mais como uma força da Natureza como por diversas vezes havia se mostrado ao povo. Nem tampouco seria apenas mais palavras nas bocas dos profetas.
Seria, sim, homem nascido de uma mulher, encarnado no seio da humanidade para experimentar-lhe os limites, as dificuldades, as possibilidades. Este era um primeiro passo do plano de Deus: se até aquele momento, tudo o que já demonstrara por seu povo não havia sido suficiente, Ele se tornaria um de nós, para mostrar, definitivamente, que era possível.
Havia entre as jovens daquele tempo a expectativa de ser a escolhida. Certamente não sabiam como isso aconteceria e o imaginário muito provavelmente alimentava as esperanças das moças que desejavam ser aquela que o Senhor viria a escolher para ser a mãe do Messias. Essa expectativa muito provavelmente deve ter sido experimentada também por Maria.
Ainda que em atitude humilde, ainda que provavelmente não conseguindo reconhecer nenhum mérito em sua simples vida, Maria era uma jovem absolutamente normal, conhecia e vivia a realidade das mulheres de seu tempo. Por que, então, estaria ela nos planos de Deus? Por que o Senhor marcou apenas aquela jovem para ser a mãe de Seu Filho? O que haveria nela de tão especial? Maria estava nos planos de Deus como toda a humanidade está.
Deus sabia da infidelidade do homem à sua aliança e, por ser todo misericórdia, decidiu o envio de Seu Filho ao mundo. Era preciso, pois, que Jesus nascesse de uma mulher, que crescesse, que por ela fosse cuidado, educado, constituído homem. Maria foi capaz de ler o anúncio de Deus, foi capaz de reconhecer naquele ser que lhe visitava o anjo do Senhor e, mais que tudo, foi capaz de responder sim ao que lhe era pedido.
Ao colocar na boca de Maria este cântico, São Lucas está a colocar Maria entre os grandes personagens da história da Salvação. Esta proclamação é feita de modo explícito por sua parenta Isabel, a qual reconhece que Maria é uma mulher privilegiada entre todas as mulheres: “Então erguendo a voz, Isabel exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio.
Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 42-45). O Magnificat tem um carácter de proclamação e reconhecimento de que em Jesus Cristo se realizaram as profecias antigas, bem como as promessas de Deus feitas a Abraão e aos antigos patriarcas: “Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre” (Lc 1, 54-55). São Lucas apresenta Maria como uma mulher simples, crente e fiel à vontade de Deus. Estas qualidades fazem de Maria uma mulher capaz de ser consagrada pelo Espírito Santo. Por outras palavras, Maria aparece como grande mediação do Espírito Santo para o acontecimento messiânico.
Com seu jeito maternal de amar o Espírito Santo optimiza o amor maternal de Maria, a fim desta amar Jesus Cristo com o jeito do próprio Deus. Maria foi eleita pelo Espírito Santo para ser colaboradora de Deus na concepção, nascimento e acompanhamento maternal do Messias salvador. São Lucas dá a entender claramente que Maria só foi entendendo de modo gradual e progressivo o carácter excepcional da sua missão no acontecimento messiânico.
No Canto do Magnificat, o autor do terceiro evangelho faz notar que Maria, ao compreender o alcance da missão especial que Deus lhe pedia, se sente uma mulher pobre e simples. Deus, diz Maria no Magnificat, confia-lhe a missão de mãe do salvador, não por ser uma pessoa importante, mas porque o Senhor se dignou olhar para a humilde condição da sua serva:
“Maria disse, então: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). O Magnificat é um canto messiânico. Tem a garra profética das palavras, atitudes e denúncias de Jesus. Como sabemos a pregação e as atitudes públicas de Jesus, são a expressão de um estilo de vida marcadamente profético. Colocando o Magnificat na boca de Maria, São Lucas quis associar de modo privilegiado Maria à missão messiânica do seu Filho.
Esta relação aparece clara logo no início da vida pública de Jesus: “Jesus veio a Nazaré onde se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres. Enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista. Consagrou-me para mandar em liberdade os oprimidos e a proclamar um ano favorável da parte do Senhor”.
Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Começou então a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4, 16-21). Lucas interpreta este texto de Isaías como um anúncio antecipado do plano profético e libertador da missão messiânica de Jesus. É evidente que o Magnificat de Maria está nesta mesma linha profética e libertadora.
Ninguém duvida da força inspiradora deste cântico que tem a beleza e a garra profética dos cânticos bíblicos de libertação e salvação. Está exactamente nesta mesma linha o cântico profético Lucas põe na boca de Zacarias, o pai de João Baptista e ao qual damos o nome de “Benedictus” (cf. Lc 1, 67-79). O Magnificat de Maria, tal como o Benedictus de Zacarias é uma exultação no Espírito Santo. Esta exultação resulta do facto de o Espírito Santo os ter feito compreender que as antigas profecias e as promessas de Deus atingiram a sua realização.
O título "Théotokos" (Mãe de Deus) foi dado à Maria durante o Concílio de Éfeso (431), na Ásia Menor. A heresia de negar a maternidade divina de Nossa Senhora é muito anterior aos protestantes. Ela nasceu com Nestório, então Bispo de Constantinopla. Os protestantes retomaram esta heresia já sepultada pela Igreja de Cristo. Este é um problema de Cristologia e não de Mariologia.
Vamos demonstrar através dos exemplos abaixo a autencidade da doutrina católica. Maria é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus que é Deus. Se perguntarmos a alguém se ele e filho de sua mãe, se esta verdadeiramente for à mãe dele, de certo nos lancará um olhar de espanto. E teria razão. O homem como sabemos é composto de corpo, alma e espírito. A minha mãe me deu meu corpo, a parte material deste conjunto trinitário que eu sou; sendo minha alma e espírito dados por Deus.
E minha mãe que me deu a luz não é verdadeiramente minha mãe? Apliquemos, agora, estas noções de bom senso ao caso da Maternidade divina de Nossa Senhora. Há em Nosso Senhor Jesus Cristo duas naturezas: a humana e a divina, constituindo uma só pessoa, a pessoa de Jesus. Nossa Santa Mãe é mãe desta pessoa, dando a ela somente a parte material, como nosso mãe também o faz.
O Espírito e Alma de Cristo também vieram de Deus. Nossa mãe não é mãe do nosso corpo, mas mãe de nossa pessoa. Assim também Maria é Mãe de Cristo. Ela não é a Mae da Divindade ou da Trindade, mas é mãe de Cristo a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que também é Deus. Sendo Jesus Deus, Maria é Mãe de Deus. Jesus antes de se encarnar em Maria não era Filho de Deus, pois Jesus não foi Criado por Deus. Jesus sempre existiu com o Pai e o Espírito Santo (Jo 1,1). Mas ao se encarnar adotou para Si, nossa naturaza humana e a fez redimir. Por isso Ele também é chamado de Filho de Deus.
Provas da Sagrada Escritura. A Igreja Católica sendo a única Igreja Fundada por Cristo, confirmada pelos Apóstolos e seus legítimos sucessores; sendo Ela a escritora, legitimadora e guardiã da Bíblia, jamais poderia ensinar algo que estivesse contra o Ensino da Bíblia.
O profeta Isaías escreveu: "Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel [Deus conosco]." (Is 7,14). Claramente o profeta declara que o filho da virgem será divino, portanto a maternidade da virgem também é divina, o que a faz ser Mãe de Deus. O Arcanjo Gabriel disse: "O Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1,35). Se ele é filho de Deus, ele tb é Deus e Maria é sua Mãe, portanto Mãe de Deus. Isaías também escreveu o mesmo em Is 7,14.
Cheia do Espírito Santo, Santa Izabel saudou Maria dizendo: "Donde a mim esta dita de que a mãe do meu Senhor venha ter comigo"? (Lc 1,43) E Mãe de meu Senhor quer dizer Mãe do meu Deus, portanto Mãe de Deus.. São Paulo ainda escreveu: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei." (Gl. 4,4). São Paulo claramente afirma que uma mulher foi a Mãe do filho de Deus, portanto Mãe de Deus.
E Maria foi também Rainha por ser esposa do Espírito Santo, que sendo Deus, é também Rei do Céu e da Terra. Por isso também Nossa Senhora é Rainha do Céu e da Terra, por ser a Esposa de Deus Espírito Santo, e Mãe santíssima do Verbo encarnado, o Filho de Deus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Nossa Senhora é Rainha também, porque Deus lhe deu todas as graças e todas as qualidades mais eminentes que um ser puramente humano possa ter. Dela se poderia também dizer : "Ecce Mulier"- Eis A Mulher -- aquela de que Deus profetizou, cuja semente esmagaria a cabeça da Serpente. Por essa razão o Anjo Gabriel disse dela, ao saudá-la:
Repare que, na Sagrada Escritura, os anjos sempre são saudados pelos homens, visto que eles são seres superiores aos homens. Com Nossa Senhora, pela primeira e única vez, um Anjo saúda a um ser humano. E ele saúda Nossa Senhora reconhecendo que ela lhe é superior por ter todas as graças de Deus, por estar plena da Graça de Deus, já antes da Encarnação do Verbo nela. Isto significa que Deus a criara com todas as graças possíveis a um simples ser humano. Portanto, Deus a fez concebida sem pecado original. Ela foi perfeitíssima desde o primeiro instante de seu ser.
Ela foi mais do que "a Mulher, tal qual saiu de Deus na manhã de seu esplendor original", como diz imprecisamente um poeta famoso [Paul Claudel], pois Maria não foi tal como Eva, mas muitíssimo mais perfeita do que Eva. Incomparavelmente superior a Eva, quer do ponto de vista natural, e, mais ainda , do ponto de vista sobrenatural.
Sendo plena de graça, Ela foi feita por Deus, então, a medianeira de todas as graças. Como o prisma refrata a luz do sol em todas as suas cores, assim também Maria, a Virgem Mãe de Deus, foi feita tal qual um prisma divino, para espalhar pelos homens todas as graças de Deus. Toda graça é de Cristo, mas nos vem por Maria, como o próprio Cristo, fonte de todas as graças, nos veio por meio de Maria. Ele é o único Salvador nosso, o único intermediário de necessidade absoluta entre Deus e nós. Mas Ele quis vir a nós por meio de Maria.
A Santa Igreja intitula Maria ainda Rainha dos Profetas. E o faz com total sabedoria, porque foi ela ainda a Mediadora das graças de profecia concedidas aos grandes homens que profetizaram a vinda de Cristo: a Isaías, por exemplo, que dela disse: "Ecce Virgo concepit et pariet Filium". Pois por isso o mesmo Senhor vos dará este sinal : uma Virgem conceberá, e dará a luz um Filho" ( Is. VII, 14).
E a mesma Nossa Senhora profetizou, em seu hino de júbilo, quando Isabel a reconheceu como "Mãe do seu Senhor" (Luc I, 43) como Mãe de Deus pela primeira vez, a Virgem Maria profetizou todo o restante da História, dizendo que no futuro "todas as gerações a chamariam de bem aventurada" (Luc I, 8) -- exceto a geração de Lutero, que ia seguir a Serpente. Por isso os protestantes não cantam a "Salve Rainha". Por isso eles estão excluídos das gerações profetizadas pela Virgem no "Magnificat".
Do mesmo modo, Ela foi a Rainha dos Apóstolos, já que estava com eles nas Bodas de Caná, no Calvário, e, segundo a Tradição, no Cenáculo, quando eles receberam todos os dons do Espírito Santo. E São João a tomou em sua casa, depois que Cristo, na Cruz, lhe recomendou que fizesse isso, pois que Ele mesmo, do alto da Cruz, a apresentou como Mãe de seu Apóstolo dileto, e como Mãe de todos os seus seguidores..
Nossa Senhora foi também à pessoa que mais sofreu por Cristo, porque a dor é tanto maior quanto maior for o bem perdido. Ora, ninguém perdeu maior bem do que Maria Santíssima, pois ela perdeu o Filho mais santo que possa jamais existir, o próprio Filho de Deus encarnado, Cristo Jesus. Ninguém sofreu maior dor moral do que Maria. E como as dores espirituais superam as dores físicas, na proporção que a alma supera o corpo, ninguém jamais sofreu tanta dor quanto a Virgem Maria, como, aliás, fora profetizado, no Templo, pelo velho Simeão: "E uma espada traspassará a tua alma, a fim de que se descubram os pensamentos escondidos nos corações de muitos" (Luc II, 35).